Exploração<br>a la «preguiçosos da cabeça»?
Lá tenho que voltar á carga. Pois estamos chegados a meados da Primavera deste 2008 e - tudo indica - «acabou-se» a estaleca, quer nos media quer nas declarações dos políticos do chamado «arco do Poder», aquele cheirinho afirmando que se queria mudar o «modelo» económico do nosso País - que a culpa de toda esta vil tristeza era do modelo dos baixos salários. Aquele cheirinho a mudança que chegaram a conseguir fazer pairar por aí, em relativas largas e «médias» camadas deste Povo, desde o período de transição para a actual Legislatura, incluindo o período eleitoral que a precedeu - como teria de ser -, bem como durante uma sua parte inicial (da Legislatura). É que então chegou mesmo a afirmar-se coisas como a fraqueza geral da «classe» gerente do tecido económico cá do burgo. Contrafeitos, mas já vários o iam fazendo. Lembram-se que houve uma fase em que até no programa das desoras conduzido pela dra. Fátima tal ia acontecendo, claro, dentro dos limites do cavalheirismo?
Até que desapareceu tudo o que podia cheirar a mudança para, talvez - a esperança é a última a morrer, não é?, - algo de menos pior. Pelo menos em termos de leviana propaganda! A gente sabe, mas sempre a Ilusão nos faz sonhar um pouco! Cadê do plano tecnológico? Viste-o? Ah, sim, posso preencher e enviar o IRS pela Internet. Ah, posso criar empresas muito, muito depressa, na hora mesmo. Mais uns computadores distribuídos, quais lanternas para os chineses terem de comprar o necessário azeite para se alumiarem. Menos mal? Passemos agora mas é das flores ao núcleo da questão. Deixemo-nos de diversões. Então o modelo dos baixos salários? Que foi feito dele, entrementes? Continua e agrava-se. Cheio de força e de que maneira! Não sejas sectário, autor destas linhas, mas então não há por aí umas empresas de tecnologia de ponta, que até fornecem a NASA, etc? Aí nessas empresas até as pessoas ganham melhor, não é? Pois há e há mais outras, aqui e acolá. Nacionais ou fazendo parte de grupos multinacionais vindos do «Além». E não apenas nas áreas das tecnologias da informação e das telecomunicações. Eu sei. Mas essas happy andorinhas não estão a conseguir apontar ao menos para o fazer-se da Primavera. Pois é, tudo leva o seu tempo… tu próprio tantas vezes o referes. Poderá ter de levar o seu tempo. É verdade. Contudo, o que se vê é empreendimentos só nesses nichos - e que a esses nichos se confinam.
Quando o que é mais certo é que na generalidade do tecido económico, no seu grosso, os processos de produção continuam a privilegiar o trabalho barato, em vez da inovação dos processos no sentido de aumentar a produtividade dos trabalhadores - aumentar a produtividade de forma a que estes pudessem “criar” valores mais elevados. Porque, para que tal aconteça - temo-lo dito e redito, e não só nós, mas tanto outros, que por «eles» considerarem que são vozes de burro não as deixam chegar ao céu -, é preciso é investir em força de trabalho qualificada, que a temos desempregada, e pagar-lhes em proporção. Mas como enquanto a força de trabalho continuar a sair tão barata não haverá «nexexidade» de aumentar a sua produtividade através do emprego de processos de produção tão eficientes quanto as possibilidades do conhecimento da época actual o permitirem, vá de continuar mas é a baixar o custo da força de trabalho - não inovar os processos, antes explorar mais, aumentar cadências, alargar o horário de trabalho quanto for necessário, descartar peças da força de trabalho quando as encomendas baixarem… enfim as receitas flexíveis de exploradores cada vez mais «preguiçosos da cabeça».
E tanto que é assim que lá vem a proposta de revisão do Código do Trabalho - tudo a apontar a uma flexível exploração acrescida num ambiente que acentua o modelo dos baixos salários. Alô, governo do PS, foi com esta política que se candidataram, ou era tudo um embuste… as coisas macroeconómicas mudaram tanto entretanto, não foi?
E tanto que assim é que lá está o desemprego a crescer sobretudo nas áreas dos trabalhadores mais qualificados. E não venham com o argumento que desemprego dos bacharéis, licenciados, mestres e doutores (sim, doutores mesmo, a sério) é porque os jovens só escolhem saberes de escassa empregabilidade (Irra, que raio de palavra!). Vão verificar a enorme quantidade de desempregados entre os engenheiros e de diplomados em ciências «duríssimas» - matemática, física, química, biologia -, e depois de verem as estatísticas, calem mas é essa boca de escravos preferidos!
Até que desapareceu tudo o que podia cheirar a mudança para, talvez - a esperança é a última a morrer, não é?, - algo de menos pior. Pelo menos em termos de leviana propaganda! A gente sabe, mas sempre a Ilusão nos faz sonhar um pouco! Cadê do plano tecnológico? Viste-o? Ah, sim, posso preencher e enviar o IRS pela Internet. Ah, posso criar empresas muito, muito depressa, na hora mesmo. Mais uns computadores distribuídos, quais lanternas para os chineses terem de comprar o necessário azeite para se alumiarem. Menos mal? Passemos agora mas é das flores ao núcleo da questão. Deixemo-nos de diversões. Então o modelo dos baixos salários? Que foi feito dele, entrementes? Continua e agrava-se. Cheio de força e de que maneira! Não sejas sectário, autor destas linhas, mas então não há por aí umas empresas de tecnologia de ponta, que até fornecem a NASA, etc? Aí nessas empresas até as pessoas ganham melhor, não é? Pois há e há mais outras, aqui e acolá. Nacionais ou fazendo parte de grupos multinacionais vindos do «Além». E não apenas nas áreas das tecnologias da informação e das telecomunicações. Eu sei. Mas essas happy andorinhas não estão a conseguir apontar ao menos para o fazer-se da Primavera. Pois é, tudo leva o seu tempo… tu próprio tantas vezes o referes. Poderá ter de levar o seu tempo. É verdade. Contudo, o que se vê é empreendimentos só nesses nichos - e que a esses nichos se confinam.
Quando o que é mais certo é que na generalidade do tecido económico, no seu grosso, os processos de produção continuam a privilegiar o trabalho barato, em vez da inovação dos processos no sentido de aumentar a produtividade dos trabalhadores - aumentar a produtividade de forma a que estes pudessem “criar” valores mais elevados. Porque, para que tal aconteça - temo-lo dito e redito, e não só nós, mas tanto outros, que por «eles» considerarem que são vozes de burro não as deixam chegar ao céu -, é preciso é investir em força de trabalho qualificada, que a temos desempregada, e pagar-lhes em proporção. Mas como enquanto a força de trabalho continuar a sair tão barata não haverá «nexexidade» de aumentar a sua produtividade através do emprego de processos de produção tão eficientes quanto as possibilidades do conhecimento da época actual o permitirem, vá de continuar mas é a baixar o custo da força de trabalho - não inovar os processos, antes explorar mais, aumentar cadências, alargar o horário de trabalho quanto for necessário, descartar peças da força de trabalho quando as encomendas baixarem… enfim as receitas flexíveis de exploradores cada vez mais «preguiçosos da cabeça».
E tanto que é assim que lá vem a proposta de revisão do Código do Trabalho - tudo a apontar a uma flexível exploração acrescida num ambiente que acentua o modelo dos baixos salários. Alô, governo do PS, foi com esta política que se candidataram, ou era tudo um embuste… as coisas macroeconómicas mudaram tanto entretanto, não foi?
E tanto que assim é que lá está o desemprego a crescer sobretudo nas áreas dos trabalhadores mais qualificados. E não venham com o argumento que desemprego dos bacharéis, licenciados, mestres e doutores (sim, doutores mesmo, a sério) é porque os jovens só escolhem saberes de escassa empregabilidade (Irra, que raio de palavra!). Vão verificar a enorme quantidade de desempregados entre os engenheiros e de diplomados em ciências «duríssimas» - matemática, física, química, biologia -, e depois de verem as estatísticas, calem mas é essa boca de escravos preferidos!